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<< Há alguns anos convidei um oficial do exército japonês, que
estava estudando nos Estados Unidos, a assistir um serviço religioso que eu ia dirigir.
Terminado o serviço, quando nos dirigiamos para casa, ele me perguntou:
- Qual é o ramo do Cristianismo representado por sua igreja?
- Nós somos judeus - respondi - adeptos da fé judaica.
Meu amigo japonês ficou intrigado. Ele era xintoísta, mas lera a Bíblia cristã.
- Mas o que são os judeus? - perguntou o oficial japonês.
- O senhor se lembra dos israelitas de que fala a Bíblia: Abraão, Moisés e Josué?
- Lembro-me.
- Pois bem, nós somos aqueles israelitas.
O Major Nishi exclamou no auge da estupefação:
- O quê?! Aquela gente ainda existe?! >>
* * *
O Rabino Morris Kertzer, que mui gentilmente nos permitiu editar
esta condensação do seu livro What is a Jew? começa-o com esse episódio
pitoresco.
Embora entre nós a presença tangível de uma comunidade judaica
exclua a possibilidade de semelhante diálogo, tomamos a liberdade de afirmar,
sem receio de cair em exagero, que existe um desconhecimento generalizado do que
são os judeus, suas crenças e seus postulados de fé e conduta. Iremos mais longe:
estamos convencidos de que esse desconhecimento caracteriza não só a grande massa
de não-judeus, como também aos próprios judeus em proporção nada desprezível. Por
isso, pareceu-nos cabível e necessário oferecer um conjunto de informações sobre
o tema poucas vezes abordado: O que é o Judaísmo?
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Não há dúvida de que uma tradição de quatro
milênios,
tão rica de implicações em toda a civilização ocidental, dificilmente poderia
ser resumida nas poucas páginas de um livrinho sem que se arriscasse melindrar
a magnitude de tamanha herança. Desejamos deixar bem patente, por essa razão,
que a nossa intenção foi a de apresentar uma introdução sumária, como que uma
vista panorâmica. Segundo realçou o próprio autor, não se trata de traçar uma
exposição filosófica e teórica do Judaísmo, mas apenas um relato de suas práticas
e crenças, sob forma de diálogo vivo, que lembrasse uma conversação casual e
espontânea.
Considerando-se que o Judaísmo está em constante processo de
criação, nem sempre se logra uma única interpretação cabal em relação aos
elementos de sua complexa bagagem histórica e doutrinária. Torna-se praticamente
impossível, portanto, fazer sua apresentação sem que se exponha a objeções e
controvérsias.
Assim sendo, convém deixar bem claro que não temos o menor
propósito de encetar polêmicas, como também não nos apegamos a nenhuma corrente
determinada de interpretação. Sentir-nos-íamos altamente recompensados - e com
isso o nosso esforço encontraria sua plena justificação - se este modesto
trabalho conseguisse despertar curiosidade para futuras leituras, mais específicas
e profundas, e lograsse lançar um pouco de luz, pelo menos em parte, sobre
certas impressões errôneas no que se refere aos judeus, suas crenças e seus
costumes.
OS EDITORES
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