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O conceito judaico de pecado se ampliou e transformou
através dos séculos. Para os antigos hebreus, o pecado consistia na violação
de um tabu, uma ofensa contra Deus, pela qual deveria ser oferecido um
sacrifício expiatório. Gradativamente, com o correr dos anos, este conceito
se dilatou. O pecado passou a significar a nossa inabilidade em nos conformarmos
com nossas plenas potencialidades, o nosso malôgro em cumprir nossos deveres
e arcar com as nossas responsabilidades como judeus e como povo de Deus.
Estas “grandes expectativas” provenientes da criação
do homem à imagem de Deus, são acentuadas em todos os ensinamentos judaicos.
Narra certa lenda do Talmud que ao entregar a Torá a Moisés,
Deus chamou para testemunhar não apenas os judeus do tempo de Moisés, porém
os judeus de todas as gerações futuras. Cada judeu, portanto, deve considerar-se
como tendo aceito pessoalmente a Lei e os elevados ideais dados a seus pais,
como depositários, nas faldas do Sinai. Deixar de pautar a vida por estes altos
padrões, constitui pecado.
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A tradição judaica distingue entre pecados contra a
humanidade e pecados contra Deus. Os primeiros - transgressões de um homem
contra seu próximo - somente podem ser reparados com a obtenção do perdão
daquele que foi agravado. Orações não podem expiar tais pecados; Deus não
intervém para redimir as dívidas do homem para com o seu semelhante.
Os pecados contra Deus se cometem por quem se alheia
à sua fé. Estes podem ser expiados pela verdadeira penitência, que em hebraico
se exprime pela palavra “retorno”(*), quer dizer,
um regresso a Deus e uma reconciliação com Êle. Isto só pode ser conseguido
por meio de uma análise honesta de nossas almas, um
reconhecimento sincero de nossas imperfeições e uma
firme resolução de preencher o
vácuo entre o credo e o ato.
(*) “Teshuvá” - em hebraico.
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