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Nossos antepassados consideravam os milagres da Bíblia
literalmente verdadeiros. Não faziam eles distinção entre o natural e o
sobrenatural, já que o mesmo Deus todo-poderoso que determinou o curso
da natureza poderia alterá-lo à vontade. A separação das águas do Mar Vermelho,
o desmoronamento das muralhas de Jericó, parar o sol à ordem de Guideão,
tudo isso era aceito como fatos históricos normais, em nada diversos
da queda de Jerusalém ou da composição do Talmud.
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Grandes eruditos, entre eles Maimônides e, muitos
séculos antes, Filon, sugeriram que os autores da Bíblia tenham escrito
deliberadamente numa linguagem de parábolas e hipérboles, sem esperar que
estas fossem tomadas ao pé da letra. Seu propósito era transmitir grandes
verdades morais numa forma que fosse compreendida e apreciada pelo povo em
geral. A alegoria constituía excelente método didático, a ponto de a
história bíblica permanecer intata através de cem gerações.
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