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MORRIS KERTZER |
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Os judeus religiosos desaconselham o casamento misto pelas mesmas razões dos devotos de todos os credos. Diferenças de religião entre marido e mulher opõem um obstáculo sério a relações verdadeiramente harmoniosas. Tais casamentos, ainda que perdurem, impõem um penoso e constante esforço à lealdade religiosa de ambos os cônjuges e suscitam problemas familiares de difícil solução. |
Um matrimônio feliz deve basear-se na unidade de espírito. Quando marido e mulher discordam num ponto tão crucial como o seu credo religioso, as probabilidades de relações duráveis e satisfatórias são muito pequenas. E os filhos de tais consórcios ficam sujeitos ao grave conflito de terem de escolher entre as mais profundas convicções das duas pessoas que lhe são as mais caras do mundo. |
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O respeito é um dos alicerces de qualquer relacionamento, principalmente o conjugal. Isto deve ser aplicado a todos os níveis, inclusive o religioso. Conflitos entre marido e mulher devido a suas diferentes religiões ocorrem apenas quando, pelo menos um deles tenta impor suas crenças ao outro. Ou, se não chega a tanto, menospreza ou ridiculariza os ensinamentos da outra religião. Além disso, não creio que o fato de o casal praticar a mesma religião implique necessariamente em uma relação “verdadeiramente harmoniosa”. |
Muitas pessoas convertem-se para a religião do(a) futuro(a) companheiro(a) para que a união possa ser concretizada. Isto é louvável. No entanto, é preciso que se esteja consciente do significado deste processo. Se a conversão foi feita apenas para vencer obstáculos de obrigações religiosas, deve-se evitar conflitos internos quanto ao “abandono” de sua religião original. Por outro lado, se a conversão significou uma real mudança, deve-se abraçar a nova religião, sem renegar a antiga, mas sim tentando buscar fundamentos comuns para que a transição seja suave. |
Quanto aos filhos, no caso de coincidência de religião do casal, há uma grande tendência de seguirem a religião da família, sem questionarem o motivo. Normalmente isto não gera maiores implicações. Mas, em muitos casos, esta inércia faz com que não se aprofundem nas questões religiosas, desinteressando-se. Alguns passam apenas a cumprir os rituais básicos do culto, sem conhecerem o significado, enquanto outros findam por afastar-se de todo da religião de seus pais. É claro que a falta de respeito tende a criar graves problemas de relacionamento. Mas, por outro lado, se houver respeito por parte dos familiares, a diferença de religião dos pais pode vir a ser estimulante, pois desperta a curiosidade da criança quanto a tal diferença. Se os pais a orientarem corretamente, sem preconceitos, darão a ela uma base segura para que, no devido tempo, faça sua escolha com firmeza e serenidade. Marcelo Ghelman |
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Marcelo Ghelman |