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CARAÍTAS
Quando o governo judeu já tinha deixado de existir e o judaísmo havia ficado somente nas esferas ético-religiosas, foram muitas as controvérsias havidas entre os judeus, não só sobre assuntos particulares, mas também sobre o assunto básico que foi a admissão da Lei Oral ao lado da Lei Escrita.
Vimos que antes da queda do Segundo Templo já existia esta divergência entre os saduceus e os fariseus. Os caraítas seguem os saduceus e aceitam somente a Bíblia como base da vida religiosa.
O caraísmo foi iniciado por Anan ben David no século VIII (D.C.) e desenvolveu-se por obra de Benjamin de Nahawend na Pérsia ocidental. Com ele, seus sectários tomam o nome de "Bené Micrá", "Filhos da Bíblia", que depois passou para "caraim", o mesmo que "biblistas".
Esta seita desenvolveu-se de tal forma que começou a constituir uma ameaça para o hebraísmo rabínico. No século X, chega-se finalmente à vitória do judaísmo rabínico, com o Gaón Saadiá. Mas o caraísmo não havia terminado. Nos séculos XI-XII propagou-se pela Espanha e no império bizantino, onde ficou até depois da conquista turca. Ao mesmo tempo difundia-se na Rússia; no século XIII é encontrado na Criméia e dali se difundiu por Wolhinia e Galizia. Houve entre os caraítas personalidades destacadas nos séculos XVI e XVIII. No século XIX o sábio Kikowtsh conseguiu demonstrar que os caraítas se encontravam na Criméia desde o século VIII. Baseado nisto foi concedida aos caraítas no ano 1863 a plenitude dos direitos cívicos. Em 1910 havia na Rússia 13.000 caraítas e fora da Rússia, no Cairo, Constantinopla, Jerusalém e Galizia, de 2.000 a 3.000.
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Última alteração: 30 de julho de 1998 |
Marcelo Ghelman |
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