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O século XIII foi o prenúncio da era do
misticismo. A rigidez da observância religiosa, mesmo das cerimônias
de importância mínima, rigidez criada pelas escolas francesas de um
lado e o racionalismo, livre e desenfreado dos filósofos espanhóis
do outro, geraram um emocionalismo baseado no misticismo chamado
Cabala, que em hebraico significa "Tradição",
tendo as suas raízes nas passagens místicas da Bíblia e nos vários
escritos do Apocalipse.
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Num período de grandes e quase insuportáveis
aflições, a alma perturbada do povo, não satisfeita nem com os estudos
intelectuais do Talmud, nem com as teorias da filosofia racionalista,
procurou consolação nas proposições fantásticas e emocionantes da
Cabala. Uma obra genial, de grande beleza
espiritual e de profunda devoção apareceu então, obra escrita numa
linguagem mística, que só depois, os de escol, podiam compreender.
Até o título tinha algo de místico: Zohar,
brilho, esplendor. Esta obra foi atribuída ao Rabi Simeão ben Iohai,
que viveu no segundo século, e que a teria escrito numa caverna,
onde ficara escondida durante doze séculos. Sabe-se agora que a obra,
embora pareça conter elementos muito antigos, foi pelo menos redigida
por Moisés de Leon, cabalista que viveu nos fins do século XIII, na
Espanha. O Zohar, a incorporação da
Cabala, exerceu uma influência enorme sobre
espíritos não somente judeus, mas também de cristãos e homens como
Pico Mirandola e Johann Reuchlin, graças aos quais ele entrou em
voga nos sistemas de todos os místicos do século XVI.
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