|
A cultura judaica moderna começou com
Moses Mendelssohn(*), que pode ser considerado como o que revolucionou
todo o aspecto da vida e da literatura dos judeus. Com meios puramente
literários, ele fez do judaísmo uma parte integrante da civilização
européia. Com sua obra Jerusalém, derrubou a
muralha interna do gueto, forçando os seus correligionários a sairem
para o ar livre do grande mundo exterior. O seu trabalho filosófico
mais popular, Phaedon, sobre a imortalidade da
alma, grangeou-lhe o título de "O Platão Alemão e o Sócrates Judeu".
A obra de Mendelssohn, a mais importante e que fez época, foi a tradução
do Pentateuco para o alemão. Os primeiros "esclarecidos", graças a essa
tradução e por meio da mesma, aprenderam a língua alemã e a literatura
moderna. Através da velha Bíblia eles penetraram no mundo moderno.
(*) mgh: Não se trata de seu neto,
o famoso compositor Felix Mendelssohn.
|
O período mendelssohniano marcou o começo
da literatura judaica moderna; aí teve lugar a fundação da chamada
ciência judaica, isto é, a investigação científica
da História e da literatura dos judeus. Desde aqueles dias presenciamos
os grandes esforços para promover a cultura judaica, esforços feitos por
homens cujos nomes serão incluidos entre os dos sábios mais importantes:
homens como Zúnz, Crochmal e Rapaport, Jost, Geiger e Graetz, resplandecem
como estrelas brilhantes entre os estudiosos e pensadores, cujas pesquisas
são inestimáveis para a compreensão do passado israelita.
É um fenômeno histórico curioso este, do
movimento mendelssohniano, que tendo em mira transformar os judeus em
alemães, teve como resultado a revivescência da língua hebraica,
convertendo-a em idioma de cultura e de literatura seculares. A idéia
inicial foi a de levar ao gueto os melhores pensamentos em voga, por
meio do hebraico, que, aliás, nunca cessou de ser a língua literária
dos judeus.
O movimento começou com um comentário
bíblico, inspirado em estudos modernos, e com um periódico que publicava
poesias e artigos científicos. O movimento cresceu rapidamente e atraiu
a atenção dos estudiosos na Galícia e na Rússia, onde os novos
"intelectuais" cada vez mais aumentavam de número. Um dos melhores
arautos, quiçá um dos maiores, foi Isac Levensohn, da Rússia, que
escreveu muitas obras para demonstrar que os judeus podem e devem
estudar a Bíblia e o hebraico e ao mesmo tempo a língua russa e
outras matérias, sem cometer, com isso, pecado ou falta.
|