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Numa apreciação geral, a
literatura judaica inclui
tudo que foi escrito por judeus, desde os tempos mais remotos
até os mais modernos, sem distinção de mérito, idioma ou país de origem.
E assim, essa literatura abrange a Bíblia, os Apócrifos, as letras
judeo-helenas que se originaram no Egito e em outros países de idioma
grego, a sabedoria rabínica que alcançou o mais alto grau de desenvolvimento
na estrutura colossal chamada Talmud, a literatura do período denominado
hispano-judaico, incluindo obras de filosofia, exegese e poesia, escritas
em hebraico e árabe, os trabalhos literários da época do Renascimento,
mudando constantemente e transformando-se de acordo com as circunstâncias,
e finalmente a literatura moderna hebraica que, embora oriental na sua
substância, é ocidental em seus métodos e no tratamento dos assuntos.
Os judeus, sendo um povo errante, entrando em estreito contato
com todos os povos do mundo, assimilaram as idéias e todos os pensamentos dos melhores
pensadores, e por isso a literatura judaica, embora essencialmente nacional, é todavia
internacional, porquanto ela reflete os pensamentos que dominam nos povos de todas as
idades.
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Entratanto, há nela um princípio unitário que
se reflete em todas as suas produções, pois as obras de todos os escritores
judeus constam de elementos originados na Bíblia, de maneira que há mais
harmonia na literatura judaica do que nas outras literaturas do mundo.
Por isso, um resumo de conjunto da literatura
judaica deveria começar com a Bíblia. Abster-me-ei, porém, de tocar na Bíblia,
nos Apócrifos e nas obras judaicas da época Alexandrina, como, por exemplo,
as de Filon, visto terem dela os letrados bastante conhecimento.
O menos conhecido, até ignorado, é que também
na diáspora, nos guetos, o judeu muito colaborou no campo literário e que
ele tem direito a um lugar de destaque entre aqueles que contribuiram à
cultura universal por meio da literatura. Por isso começarei o meu resumo
sobre a atividade dos judeus na literatura a partir da época em que Israel
deixou de ser uma entidade política entre os povos do mundo, isto é, pelo
ano 70 da era cristã.
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