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Tomando a Bíblia como base, os Rabis
empreenderam a tarefa gigantesca de harmonizar e de adaptar todos
os preceitos bíblicos às circunstâncias da vida, que sempre variam
e mudam. Já na geração anterior, o grande Hilel estabeleceu sete
regras que deviam regular a interpretação da Sagrada Escritura.
Estas regras desenvolveram-se e ampliaram-se em Iabné, e assim
desenvolveu-se a Mishná. Esta obra, que levou cerca de 200 anos
para a sua formação, é até um certo ponto o texto da Tradição,
o Tratado da Lei Tradicional dos Judeus. A Mishná é a expressão
literária do ponto de vista Bíblico de acordo com a tradição
judaica popular antiga, mas sempre em evolução. Nota-se o
processo evolutivo até na língua. A língua da Mishná é o
neo-hebraico, descendente natural da língua clássica da Bíblia.
A matéria tratada na Mishná abrange a lei e a ética, "as coisas
do corpo, da alma e do pensamento", em uma palavra, tudo diz
respeito ao comportamento do homem quer quanto às suas relações
com o Criador, quer quanto às com o seu próximo. Os autores da
Mishná, os Tanaim, não eram Rabis profissionais; como diziam em
termos incisivos: "A Lei era a vida do Rabi, mas não o seu meio
para viver". Eram em geral gente do povo, artífices, artistas,
simples operários ou lavradores que trabalhavam com suas próprias
mãos para ganhar o pão, e dedicavam as horas de folga ao estudo
da Torá.
Foi nessa época que foram escritas
obras completas sobre a História dos judeus, embora não em
hebraico. Justus de Tibérias escreveu, em idioma grego, a
História dos reis judaicos, e também uma narração detalhada
da grande guerra dos judeus com Roma. Infelizmente, os livros
originais deste autor perderam-se totalmente, e só os
conhecemos através de citações.
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Entretanto, a sorte conservou-nos
as obras de Flávio Josefo. Também ele escreveu em grego, embora
se saiba ter escrito pelo menos a História da Guerra Judeo-Romana,
também em aramaico, vernáculo daquela época. A composição do Novo
Testamento também teve lugar naquele período, e alguns dos livros
de que ele consiste, foram escritos por judeus. O Quarto Livro dos
Oráculos Sibilinos, talvez o mais antigo da Apologética na literatura
judaica, foi escrito mais ou menos no ano 80 da era cristã. Um resumo
dos acontecimentos históricos, sob o nome de "Rolo do Jejum", apareceu
na mesma época. É uma obra muito curiosa: ela consigna os dias em que
não há jejum. Segundo a ordem do calendário hebraico marca as datas
dos aniversários importantes que caem em dias diferentes, e dá uma
cuidadosa ordem cronológica às datas das vitórias nacionais e de
outros acontecimentos históricos.
Rabi Iohanan ben Zacai morreu nos fins do
primeiro século, e o segundo principiou com um intenso movimento
escolástico. Depois da morte do Mestre, muitos dos seus discípulos
abriram escolas próprias em diferentes partes da Palestina e, graças
à propaganda e aos esforços de Rabi Aquiba, o grande patriota que,
santificando o Nome do Eterno, tornou-se mártir na luta final contra
Roma (durante a última revolução contra os romanos, empreendida pelo
herói Bar-Cochba no ano 135 da era cristã), fundaram-se casas de estudo
na Babilônia, na Ásia Menor e em Roma. Regras e métodos definitivos
foram estabelecidos para a exposição da Bíblia e a explicação dos
seus mandamentos, de acordo e em harmonia com as novas circunstâncias
da vida. Esses métodos foram aceitos pelos sábios, muitos dos quais
se especializaram em assuntos particulares de estudo. Destes estudos
resultou a base fundamental dos mais antigos comentários, existentes
atualmente sobre as partes legais do Pentateuco.
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