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A Mishná, completada e editada por Rabi Judá,
contemporâneo e amigo íntimo do filósofo e imperador romano Marco Aurélio,
tornou-se a base do novo edifício, cuja construção durou 300 anos. A
estrutura levantada sobre os alicerces da Mishná é o Talmud, chamado também
Guemará. O termo Talmud é usado também para indicar o conjunto da Mishná e
da Guemará. A Mishná é o código ou o sistema que tratou de introduzir a
ordem na vida nacional judaica, edificado de acordo com as leis derivadas
direta ou indiretamente da Bíblia, como também a massa das tradições
populares que se avolumaram no decorrer dos séculos ao lado da Lei escrita.
O Talmud em seu conjunto é um comentário, ou uma exposição da Mishná. As
leis e regras estabelecidas na Mishná não foram aceitas pelos sábios como
dogmas, que queriam saber o por quê e o para quê, concordância lógica das
leis com as regras estabelecidas pelos sábios das gerações anteriores. As
discussões sobre todas as questões, os argumentos e as decisões finais
foram foram todos incorporados ao Talmud.
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Mas o Talmud é mais do que isto. O Dr. Israel
Abrahms diz com razão:
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"O Talmud não é um livro, é uma literatura.
Uma enciclopédia cuja compilação levou 300 anos. Incorpora o produto
do pensamento do povo em todas as vicissitudes da vida durante cinco
séculos. Sendo o código legal dos judeus, é ao mesmo tempo também a
fonte da sua liturgia, o seu sistema de ética, o repositório das sua
poesia e um depósito de História, ciência, medicina e folclore".
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Já o Talmud revelou que os judeus não ficaram,
contrariamente à crença popular, isolados e não influenciados pela vida
exterior da sua esfera própria. O Talmud apresenta vestígios inconfundíveis
da cultura das nações com as quais os judeus tinham contato. Sabe-se que há
duas obras talmúdicas distintas: o Talmud da Palestina, produto dos seus
colégios, completado mais ou menos do ano 370, e o Talmud da Babilônia,
isto é, as obras dos estudiosos da Babilônia, o qual foi completado um
século mais tarde.
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