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Ao lado do Talmud desenvolveu-se uma outra
literatura, que pode ser chamada de expressão poética ou espiritual do
pensamento judaico - o Midrash. Este último é uma
compilação de exposições homiléticas ou espirituais da Bíblia, penetrando
sob a superfície do sentido singelo do texto bíblico. Enquanto o Talmud
se dedica principalmente à explicação da letra, o Midrash revela o espírito
da palavra e da Lei. Os primeiros vestígios da literatura midráshica podem
ser encontrados numa época anterior à conclusão da Bíblia, mas a sua
atividade estendeu-se até o décimo ou undécimo século.
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Até os nosso dias,
o Midrash serviu de tesouro inesgotável aos pregadores e moralistas judeus,
ofereceu-lhes uma vasta série de engenhosos e sutis comentários de
passagens bíblicas, embelezados com provérbios, parábolas e lendas.
O ideal que serve de esteio ao conjunto desta literatura é o aperfeiçoamento
da moralidade, o enaltecimento do princípio ético da vida, o apelo para a
imaginação e a apresentação do lado espiritual do judaísmo numa forma
atraente. Um grande número de obras midráshicas existe ainda hoje e, a
despeito da sua antigüidade, goza até agora de grande popularidade,
contando inúmeras edições.
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