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Mirando
retrospectivamente o campo que acabamos de examinar muito rapidamente e
recordando os pontos que parecem comuns ao conjunto, podemos, agora, isolar
duas tendências originárias e aparentemente fundamentais: o sentido da
unidade e a acentuação do
concreto. Do primeiro provêm a
teoria ética da unidade humana e a
teoria científica da unidade da natureza. Do segundo, a determinação
de não tolerar que estas doutrinas permaneçam como algo puramente «teórico» e
de extrair delas
normas de vida para as sociedades humanas e os
métodos de investigação dos fatos naturais. Que descubramos ou não ali os rastros
de um «etos» nacional, é questão que excitará sempre o interesse e as controvérsias.
Porém é surpreendente observar que, muito inconscientemente, sem dúvida,
algumas obras dos pensadores judeus mais modernos recordem particularidades da
antiga concepção hebraica, e que a mensagem seja freqüentemente lançada com uma
intensidade que lembra os profetas de outros tempos. Como bem se tem dito de
Bergson(107) e, como vimos antes, isto se aplica particularmente a
Spinoza, eles nos oferecem «não somente uma teoria, senão uma visão».
Porém a dívida
do mundo para com o pensamento judaico, não compreende somente à contribuição
dos filósofos. É necessário ter em conta um fator mais amplo. Qualquer idéia
espiritual que tenha penetrado nas massas entre os povos europeus, é devida à
concepção judaica do caráter da realidade suprema. À luz dessa comprovação
empalidecem as demais.
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Uma última
observação. É necessário insistir sobre o fato de que não temos tido, de um
extremo a outro, preferência por um determinado sistema nem por uma «escola» de
pensamento particular(108). Por persistentes que pudessem ser as
tendências intelectuais, a matéria e a maneira de sua aplicação variam
infinitamente. Tem havido e há, todavia, filósofos judeus, homens, cujo todo o
ser está consumido por uma paixão de compreender; porém, o vínculo que os une
não é uma crença filosófica determinada: é a crença no valor da filosofia. São
homens do espírito, porém o espírito sopra onde quer. «Não é um sistema, senão
uma atitude intelectual». Pensadores judeus poderão talvez, criar uma nova
síntese, que supere a antiga e seja diferente dela. Ou, se preferimos ser menos
categóricos, o espírito judeu poderia muito bem abrir novos caminhos. Em todo
caso, o futuro deve ser preservado de idéias preconcebidas paralisadoras. A
crença na unidade é a suprema influência libertadora, e é necessário deixar o
campo livre a uma influência libertadora.
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