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Geograficamente, a Palestina é situada
muito mais próximo do Egito que da Mesopotâmia, e não há dúvida de que
as suas relações econômicas também eram mais intensas com o país do
Nilo do que com as regiões do Tigre e Eufrates. Apesar disso, o que
menos se sente na Bíblia é a influência espiritual do Egito. A antiga
terra civilizada do Nilo, que já possuía atrás de si uma história de
três mil anos, quando Israel ensaiara os primeiros passos, era geralmente
mais retraída e revelava menos ambição para expansão política e espiritual
dos que os universais impérios mesopotâmicos. Não obstante, era o Egito
uma potência mundial com amplos interesses políticos e econômicos no
mundo daquela época, e muitas vezes promovia guerras para conquistar
a Palestina, que sempre fora importante ponto de contacto internacional.
Durante os séculos 15-13 A.C., eram os egípcios quem dominavam a
Palestina e, como se verifica pelas tradições bíblicas, tribos
israelitas habitavam então as zonas limítrofes do Egito. Nas fontes
egípcias não se encontrou até o presente nenhuma referência que
confirmasse as narrativas da Bíblia sobre a permanência e êxodo
dos judeus daquele país. Contudo, a maioria dos pesquisadores julga
haver fundo de verdade nessas narrativas, e certa prova disso
também vêem no número relativamente grande de nomes e expressões
egípcias, que se encontram nos respectivos capítulos do Pentateuco.
Até nomes judaicos tais como Moisés e Pinhas, são de origem egípcia.
O nome "Israel" acha-se nas fontes egípcias, pela primeira e única vez
na denominada Pedra-Mernepta - monumento triunfal do rei egípcio
Mernaptac (pelos 1125-1215 A.C.). Israel é ali citado juntamente com
Asquelon, Guezar e Yenoam. Pelo que parece, Israel então dominava uma
pequena parte da Palestina. Trezentos anos depois o monarca egípcio
Sisaque invadiria Israel e cobraria tributo de Roboão de Judá. Essa
vitória é perpetuada numa gravaçao em alto-relevo, que se acha na
parede norte do afamado templo de Carnaque.
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Historicamente muito valiosos, são os
cadastros urbanos da Palestina e Síria, os quais se acharam em maior
número, entre os materiais egípcios na célebre parede de Tutmasis
(pelos 1550 A.C.).
Dos textos literários - que no Egito não eram
escritos em tábuas de argila senão em papiro - merecem especial menção os
provérbios do sábio Amanemope, cujo texto achado data de 1000 A.C.
Encontra-se ali considerável número de paralelos aos Provérbios de Salomão.
Parte dos provérbios da coleção egípcia repete-se literalmente nos capítulos
22-23 dos Provérbios da Bíblia. Há quem considere, por esse motivo,
que o autor judaico tivesse à sua frente o texto egípcio.
Em geral porém, era a cultura egípcia mal vista
em Israel, e os círculos proféticos combatiam com veemência as tendências
pró-egípcias e, a par disso, as influências espirituais daquele país -
"maassei mitzraim".
É isso provavelmente uma das razões por que
na literatura bíblica tão pouco se sente a influência egípcia.
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